(Liniers)
Demora pra Riobaldo Tatarana
sexta-feira, 25 de maio de 2012
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Esse é Bernardo
Esse é Bernardo. Bernardo da Mata.
Apresento. Ele faz encurtamento de águas.
Apanha um pouco de rio com as mãos e espreme nos vidros
até que as águas se ajoelhem
do tamanho de uma lagarta nos vidros.
No falar com as águas rãs o exercitam.
Tentou encolher o horizonte
no olho de um inseto - e obteve!
Prende o silêncio com fivela.
Até os caranguejos querem ele para chão.
Viu as formigas carreando na estrada 2 pernas de ocasopara dentro de um oco...
E deixou.
Essas formigas pensavam em seu olho.
É homem percorrido de existências.
Estão favoráveis a ele os camaleões.
Espraiado na tarde - como a foz de um rio - Bernardo se inventa...
Lugarejos cobertos de limo o imitam.
Passarinhos aveludam seus cantos quando o vêem.
(...)
(Manoel de Barros)
segunda-feira, 21 de maio de 2012
o dia inteiro
Assim passo o dia inteiro.
(Venha leveza! Da Argentina, da França,
de São José dos Campos - adoro esse nome -, de Marte, donde for, venha?!...)
(Liniers)
clique no quadrinho para ampliar
sábado, 19 de maio de 2012
o sonhador
"Entre sonhar e pensar que se sonha, qual é a diferença?
E, antes, quem tem o direito de colocar essa questão?
Será o sonhador, mergulhado na experiência de sua noite,
ou o sonhador ao despertar?
Um sonhador poderia, aliás, falar de seu sonho sem acordar?"
(Derrida)
segunda-feira, 14 de maio de 2012
bauhaus
cadeira estilo bauhaus, Miers van der Rohe
"Brevity is the soul of wit"
(Shakespeare, Hamlet, Polonius)
un - bauhausen
cadeira dos Irmãos Campana
O mesmo não vale se o engenho (wit) for a escrita, a escritura, a escrita como técnica, como arte, tecitura.
Nela, por ela, quanto mais demora, quanto mais "fios", palavras, texto, tecido, que justifiquem a demora em cada palavra que se apresente, tecida, mais belo é o engenho, mais espaço dá-se ao estranhamento com que se enreda a intimidade e com que se enlaça o estético.Aqui, não é a brevidade que faz a obra mas, campanamente, o longo, demorado, exaustivo trabalho com as palavras.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
quinta-feira, 10 de maio de 2012
segunda-feira, 7 de maio de 2012
famíl-ia-faitat
Pra receber-te em meu lar,
fale da língua, beba do vinho, seja da lei
Pois sendo da família, és rei
e tendo alegria, inscreve-te, elogioso, 'lafetá'.
Mas, se teu rosto me engana
Se sai do foco, do eixo
e da boca vem língua estranha,
assim ainda me alegro, vem, deixo.
Nome aqui não é nomos
Vinho não é ''venhas'
E boca não é língua,
é rosto.
quadro ("Maria Pequena"): autoria de André Lafetá
quinta-feira, 3 de maio de 2012
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Um lugar...
Pudera encontrar um lugar,
um lugarzinho qualquer feito
de paz e de luz
para re-pensar
no tanto que pensei mal, apressado demais, acabado demais;
para re-ler diverso, outramente,
uma escrita qualquer, que é pra ser jogo não lição;
para re-entender Heidegger,
já que o entendi com o Cabrera que disse te-lo entendido com excessiva ontologia;
para re-encontrar-me
na vigília, na paciência, no entendimento;
para re-fazer os planos, os projetos, os fatos;
para re-dormir e re-acordar
outro.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
terça-feira, 24 de abril de 2012
será que será?
Permita-me filosofar...
- Lixo = Compras = Consumo?
- Logo, reduzindo um, reduz-se os outros.
- Logo, acabando-se com um, acaba-se com os outros.
- Comida = Compras = Embalgem = Plástico = Consumo = Lixo
- Logo, reduzindo um, reduz-se os outros
- Logo, acabando-se com um, acaba-se com os outros
- Homem - Comida = Defunto
- Defunto = Lixo?
- Logo, reduzindo-se os Homens, aumenta-se o Lixo
- E, acabando-se com os Homens, acaba-se com o Lixo?
- Planeta - Homem = "o Dentro pleno"
- Logo, o Lixo somos Nós.
sábado, 21 de abril de 2012
de frente
"Não pode o homem dizer-se corajoso, ávido pelas coisas do mundo, se não é capaz de olhar de frente, seja onde for, as representações do terrível".
(Osman Lins)
bela definição...
Reticências
"é a figura de um calar-se para deixar se fazer ouvir
mais do que a eloquência"
(Jacques Derrida)
terça-feira, 17 de abril de 2012
jogo das 7 diferenças

1 - A cabeça dos homens diminui enquanto a barriga cresce
2 - A cabeça dos cães cresce enquanto a barriga diminui
3 - Os homens choram enquanto os cães alegram-se com o tempo
4 - De pés pequenos a pés pesados; de pés no chão a pernas pro ar...
5 - De olhos grandes a olhos pequenos (vê-se menos?); de orelhas enormes e pesadas a orelhas leves e menores (escuta-se mais?)
6 - As mãos que dão, são as mesmas; as patas de um cão, parece, irão à mesa?
7 - Em cães e homens: a mão do Criador ficou mais leve?
sábado, 14 de abril de 2012
Nikos & Li

" - Você é muito pequena, e muito novinha, tem apenas onze anos... e cuida de todo mundo... do seu pai, da sua mãe, dos seus avós, do seu irmão, de mim...?
- Mas, não é isso que importa?"
quinta-feira, 12 de abril de 2012
as três loucas

Numa casa, a-casa; acaso?
Três loucas.
Sair... Saia, viandante;
fenda distâncias, tome posse e depois abandone.
Quem é hóspede de quem?
Quem chega? Quem vai?
Chegue, tome posse, meça as distâncias.
Ficar... Fique, pois o rasgo que te fere,
cura.
Numa casa, casar; destino!
imagem: Gabriel Pacheco
domingo, 8 de abril de 2012
croco-nilo

"Gostaria de ser um crocodilo,
porque amo os grandes rios,
pois são profundos como a alma do homem.
Na superfície são muito vivazes e claros,
mas nas profundezas são tranquilos e escuros
como os sofrimentos dos homens".
João Guimarães Rosa
em entrevista para Günter Lorenz
porque amo os grandes rios,
pois são profundos como a alma do homem.
Na superfície são muito vivazes e claros,
mas nas profundezas são tranquilos e escuros
como os sofrimentos dos homens".
João Guimarães Rosa
em entrevista para Günter Lorenz
quarta-feira, 4 de abril de 2012
sobre o dom
Tudo aquilo que é recebido
é recebido ao modo do que recebe.
(Quidquid recipitur ad modus recipientis recipitur)
é recebido ao modo do que recebe.
(Quidquid recipitur ad modus recipientis recipitur)
domingo, 1 de abril de 2012
música

As criaturas da noite
num vôo calmo e pequeno
procuram luz aonde secar
peso de tanto sereno
os habitantes da noite
(...)
são viajantes querendo chegar
antes dos raios de sol
(...)
Me sinto triste de noite
atrás da luz que não acho
sou viajante querendo chegar
antes dos raios de sol.
(Criaturas da noite,
Flávio Venturini)
num vôo calmo e pequeno
procuram luz aonde secar
peso de tanto sereno
os habitantes da noite
(...)
são viajantes querendo chegar
antes dos raios de sol
(...)
Me sinto triste de noite
atrás da luz que não acho
sou viajante querendo chegar
antes dos raios de sol.
(Criaturas da noite,
Flávio Venturini)
sábado, 31 de março de 2012
chique até!

O nosso livro saiu n'O Globo.
Organizado por Piero e Fabrícia, com artigos
meu e de colegas e professores,
ele é fruto do I Seminário Internacional sobre Derrida
acontecido em Brasília em setembro de 2011,
com o mesmo título,
e uma espécie de "coroamento" das discussões do Grupo.
Seu lançamento foi anteontem na Livraria Cultura.
Cultura, O Globo... estamos chiques.
(e seria mesmo chique sair n'O Globo??...)
quinta-feira, 29 de março de 2012
sábado, 24 de março de 2012
Tu

"Nada é novo sob o sol. A crise inscrita no Eclesiastes não está no pecado, mas no tédio. Tudo se absorve, se deturpa pouco a pouco e se enclausura no Eu.
Vaidade das vaidades: o eco de nossas próprias vozes tomado como resposta às poucas orações que ainda nos restam; em toda parte, recaída sobre nós mesmos, como após o êxtase da droga.
Com exceção de tu que, em todo esse tédio, não se pode abandonar. (...)
Eis porque a responsabilidade por tu é transcendência que pode surgir algo de novo sob o sol".
imagem: Malcolm X
texto: Emmanuel Lévinas
mito

O mundo é uma caverna com uma única saída; a saída do impossível e para o impossível. O incrível nessa história é o paradoxo que traz: há saída, e o impossível. Do alto brilha alva a luz do impossível a iluminar a caverna do mundo. Alegoria do mundo e da alma, o mito da caverna de Platão diz: é o impossível que nos move.
sexta-feira, 23 de março de 2012
lógica?
Achados na rua.
Achados ou perdidos?
Na rua.
Achados por quem?
Pela rua?
Achando-se na rua...
Encontrando-se na rua ou
achando estar na rua?
Achando estar perdido?
Perdidos de quem?
Perdidos para a rua?
Achados, para quem?
nos olhos dela

Acho bom ler o tempo passar
nos olhos dela
Bichinho, no verde ou na janela
sem saber, sabendo o que é amar
quinta-feira, 22 de março de 2012
domingo, 18 de março de 2012
por terminar

"Contam nossos mais antigos sábios que os deuses mais primeiros, os que nasceram o mundo, os que nasceram quase todas as coisas, e não fizeram todas porque eram sabedores de que um bom pedaço cabia aos homens e mulheres nascê-las. Por isso é que os deuses que nasceram o mundo, os deuses mais primeiros, se foram quando ainda não estava acabado o mundo. Não por serem preguiçosos é que se foram sem terminar, mas porque sabiam que cabe a uns começar, porém terminar é trabalho de todos. (...)"
A História da Busca, Subcomandante Marcos,
do Movimento Zapatista,
guerrilheiro e escritor
sábado, 17 de março de 2012
cordel do mar encantado

O mar se orgulha por ser vigoroso
forte, gigantesco, que nada limita
se ergue, se abaixa, se move, se agita
parece um dragão feroz e raivoso
é verde, azulado, sereno, espumoso
se espalha na terra, quer subir pro ar
se sacode todo querendo voar
ritumba, ribumba, penera, balança
nem sangra nem seca nem pára nem cansa
nos dez de galope da beira do mar.
(cordel recitado por Lirinha
no filme Palavra Encantada
de autor desconhecido)
quinta-feira, 15 de março de 2012
nada me faltará?

"O pastor procura pela ovelha e não a ovelha pelo pastor;
ora, eu procuro pelo meu Senhor,
e o meu Senhor não procura por mim.
Logo eu não sou ovelha"
(William Shakespeare,
The Two Gentlemen of Verona)
quarta-feira, 14 de março de 2012
semestre nada criativo

(Liniers)
Semestre nada criativo este.
Estou no início do segundo ano do doutorado e, cumpridas as disciplinas na UFMG e com minha querida orientadora daqui da UnB fora, só me resta mesmo começar logo a escrever a(s) tese(s). E como se começa a escrever uma tese?
1 - reunindo, revisitando e recomentando os artigos que já escrevi sobre o assunto (por que será que eles pareciam bons quando escritos e hoje ao retoma-los parecem tão pobrecitos?...)
2 - O jeito é reinventa-los. Como? Com leituras e diálogos.
3 - As disciplinas são oportunidades para tanto.
4 - Lógica (com o Nelson!) e Teoria da Tradução (com o Piero!). Ótimos professores, sem dúvida. Mas... por que raios estou fazendo cursos tão pouco criativos?
5 - Prometo, no próximo semestre, me aventurar no que a tese realmente precisa...
6 - Estudar pássaros, desenho, jardinagem, literatura e dar muita aula... dar a polemizar, perturbar, pensar, criar.
segunda-feira, 12 de março de 2012
sábado, 10 de março de 2012
o artista

The Artist
(FR, US, 2011)
Michel Hazanavicius
Numa das tantas idas a BH para reunião com orientador, tirei uma noite para ir ao Belas Artes, na Gonçalves Dias, perto da Praça da Liberdade. Assisti "O Artista", filme ganhador do Oscar 2011. Muito bom! Embora não reproduza o momento irreproduzível do cinema mudo de áureos tempos, ele traz o charme dos filmes silenciosos (e do ator Jean Dujardin. Super ultra charmoso...) aliado ao grato trato da tecnologia. Belo! Entretem e entuasiasma.
segunda-feira, 5 de março de 2012
o homem forte

Saber ser só.
Não para acasular-se, insular-se, negar o mundo e as pessoas numa falsa superioridade autoindependente. Não, não é isso que é saber ser só. Mas fruir-se do outro, pelo e com o outro, somente quando é o outro que importa. Não quando se sente solidão ou quando se pensa ser impossível estar só, posta uma dependência ou necessidade egóica de companhia. "Preciso de você" ou "preciso de alguém" é diferente de "não preciso, mas quero estar com você". Pra mim, o homem forte é aquele que sabe estar só e unir-se ao outro somente pelo outro, não por si.
Difícil, não?
Um grande exemplo de um homem forte é o Amyr Klink. Li este livro para dar um curso de Empreendedorismo (eu? dando aula de Empreendedorismo?? O que não se faz nessa vida...), e depois disso vou sempre às palestras do Amyr Klink quando vem a Brasília.
Ao lembrar das "franjas do mar", lembrei do Amyr Klink. Ao lembrar do Amyr Klink, lembrei do homem forte. Ao lembrar do homem forte...
domingo, 4 de março de 2012
bela Uma

Uma Thurman
in
Henry & June
1990
Philip Kaufman
Descrita por Henry Muller como Mona e por Anais Nin como Sabina, June (interpretada belamente por Uma Thurman no filme de Kaufman) é a ponta de um triângulo amoroso que traça a história do filme e dos escritores reais e suas obras. Linda, misteriosa, exótica, June é a alma dessa história que prima pelo glamour bem francês, embora com o inglês Henry Muller dominando as cenas, pela sensualidade e por uma liberdade descomprometida típica dos anos 20-30.
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